18 de nov. de 2009

Estados Unidos deveriam ajudar China a ir à Lua, diz Buzz Aldrin

Para astronauta americano, 'nova corrida espacial’ é um erro.
Ele acredita que chineses devem ser parceiros comerciais no espaço.


Buzz Aldrin à bordo do módulo Eagle em 21 de julho de 1969, após ficar mais de 2h30 na superfície lunar (Foto: Nasa via France Presse (arquivo)


(G1) Para o astronauta americano Buzz Aldrin, segundo homem a pisar na Lua, os Estados Unidos não deveriam entrar em uma “segunda corrida espacial”, dessa vez contra a China, por uma nova conquista do satélite. Pelo contrário. O americano acredita que seus compatriotas deveriam, na verdade, ajudar os chineses em suas missões lunares.

Buzz Aldrin chegou ao Brasil na terça-feira (17) para uma visita de dois dias em homenagem aos 40 anos da Apollo 11. Depois de passar a terça na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), ele viaja nesta quarta para São Caetano, em São Paulo, onde visita uma fábrica de brinquedos.

Aldrin entende de corridas espaciais e não apenas por ter feito parte dos projetos Gemini e Apollo. Antes de entrar na Nasa, Aldrin era piloto de caças de guerra. Quando estava estacionado na Europa, ele conta, uma de suas missões seria carregar uma eventual bomba nuclear para o Leste Europeu caso um dia a União Soviética invadisse a Europa Ocidental.

“A competição entre soviéticos e os Estados Unidos era uma coisa muito real que continuou ao longo de todo o programa Apollo, durante o programa Skylab e mesmo depois, na missão conjunta da Apollo com a Soyuz”, afirma Aldrin. “Eu acredito muito fortemente que nossa vitória na corrida pela Lua teve um impacto muito sério na União Soviética”.

A competição, segundo ele, foi um importante elemento para o desenvolvimento tecnológico dos anos 50, 60 e 70. Mas não deveria ser repetida agora, mesmo após a decisão de países como China e Índia de enviarem missões à Lua na mesma época em que os americanos pretendem voltar ao satélite – em 2020.

“Acredito que os Estados Unidos deveriam usar seu papel de liderança para ajudar outros países, como a China, a Índia e os europeus, que querem enviar seu pessoal à Lua”, afirma Aldrin. “Podemos ajudá-los sem gastar muito de nossos recursos. Podemos enviar robôs, podemos consultar e aconselhar”, diz o astronaua.

“Não acredito que deveria haver uma corrida com a China. Acredito que deveríamos convidar a China para ser uma parte da estação espacial, para ser parte de um projeto para evitar colisões entre satélites. E deveríamos ajudar os chineses, os indianos e outros no desenvolvimento comercial da Lua”, recomenda.

Críticas ao Constellation
O americano critica o Projeto Constellation, da Nasa, que visa construir as naves e foguetes que podem levar o homem de volta à Lua. “Temos um novo administrador na Nasa. Temos um novo presidente. E estamos reavaliando o que estávamos fazendo nesses últimos quatro ou cinco anos”, diz Aldrin.

“O novo projeto envolve dois foguetes, em vez de um. Um pequeno e um grande. Eu acredito que isso é um erro que resultou em uma nave de pouso muito grande e cara. As reavaliações que estão acontecendo agora exigem que nós, o mundo ocidental, analisemos com cuidado o que nós temos a ganhar enviando seres humanos de volta à Lua”, afirma.

O astronauta também é crítico do projeto das naves Orion, do Constellation, que, como a Apollo 11 de Aldrin, cairão no mar em vez de pousar em uma pista, como os ônibus espaciais. “Vamos voltar a pousar no mar depois de 30 anos de ônibus espaciais pousando em pistas. Não concordo com isso em nada”, diz o americano.

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