21 de jan. de 2010

A dura sorte do Haiti

(Ulisses Capozzoli - Scientific American Brasil) O tremor de magnitude 6,1 na escala Richter, que ontem pela manhã voltou a sacudir o Haiti não é nenhuma surpresa. Ao menos do ponto de vista geológico, ainda que parte das pessoas possa pensar que a cólera dos deuses não esteja suficientemente amenizada pelo que consideram estupidez de atitudes humanas.

Ao menos em relação ao sismo, não há razão para pensar assim, ainda que a história do Haiti reflita essa situação [a estupidez humana] como um espelho bem polido.

O acúmulo de tensão das bordas das placas tectônicas em atrito, uma delas sob o território do Haiti, aliviou parte energia acumulada, mas nem toda. Assim, é comum e frequente que a um sismo de grande magnitude ocorram outros quase sempre mais moderados. Ou que sismos de grande magnitude sejam precedidos de outros menores.

O sismo que literalmente desmoronou o Haiti, de magnitude 7,0, é quase dez vezes mais poderoso que o que se manifestou ontem. Mais exatamente, 9 vezes mais intenso.

E isso porque os sismos são avaliados numa escala logarítmica de base 10, em que um tremor de escala 7,0 é dez vezes mais intenso que um de magnitude 6,0 e, portanto, 100 vezes mais intenso que um de magnitude 5,0 ou mil vezes que um de magnitude 4,0.

Da mesma forma, um tremor de magnitude 8,0 é dez vezes mais poderoso que um de magnitude 7,0. A escala vai até 9,0 porque, depois disso, o solo se rompe e não faz mais sentido medir a energia de um sismo.

A destruição é completa.

Os jornais quase sempre falam em “graus” ao se referir à escala Richter, mas a verdade é que se trata de uma referência logarítmica e foi inspirada na astronomia, mais especificamente para medida da luminosidade e ou brilho das estrelas.

Em astronomia, no entanto, a variação é menor, de apenas 2,5 vezes.

Enquanto a Natureza não desiste de castigar os humanos, liberando sua própria tensão interior, a comunidade humana de muitas maneiras toma iniciativas louváveis.

Artistas de diferentes áreas fazem doações e tomam iniciativas para oferta de recursos capazes de minimizar a sorte de milhares de miseráveis produzidos pelo tremor. E piorado ainda mais a vida de quem já não contava com a sorte.

De muitas maneiras, artistas e cidadãos comuns parecem mais determinados que seus governos, determinados a se exibir como pavões preocupados como implicações geopolíticas.

No Brasil, até o início da tarde de ontem, pelo menos R$ 2 milhões haviam sido coletados anonimamente com o objetivo de amparar haitianos.

E havia determinação de se adotar pelo menos 300 das milhares de crianças daquele país/ilha que perderam pais e parentes.

Países como a França, que por muito tempo sugaram literalmente o Haiti, tem sido mais reticentes em ajudar, embora tenham obrigações morais muito mais fortes, uma vez que a marca de suas presenças devastadoras estão gravadas em todas as partes.

A língua é apenas uma delas.

O Haiti ainda pode ter novos tremores, nos próximos dias e semanas. Ao longo de décadas e séculos isso será inevitável, em função de sua condição geofísica.

O importante neste momento é que a ajuda chegue. De todos os lugares.

E chegue impregnada de um sentimento profundo de humanidade.nem numa corrente ansoas isoladas ou que se re capazes de minimizar a sorte de milhares de misere e ou brilho das estrelas.

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