
(Cesar Baima - O Globo) Um objeto descoberto seguindo a órbita da Terra está intrigando os cientistas e coloca em evidência um problema pouco discutido, mas que pode se tornar muito grave, o da poluição espacial. Inicialmente classificado como um asteróide quando de seu primeiro avistamento, em 16 de maio, o 2010 KQ pode ser na verdade um pedaço de um foguete que há muitos anos escapou do sistema Terra-Lua.
De acordo com cálculos iniciais, o objeto estava bem próximo da Terra no início de 1975, mas sua trajetória ainda não é suficientemente conhecida para que ele possa ser associado a algum lançamento específico. Ainda assim, os cientistas não acreditam que um objeto natural pudesse ter permanecido numa órbita do tipo por muito tempo sem antes ter se chocado com a Terra. De fato, análise conduzida por Paul Chodas, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, sugere que ele tem 6% de chances de colidir com o planeta num período de 30 anos a partir de 2036.
Além disso, análises de espectro em infravermelho conduzidas por S.J. Bus, da Universidade do Havaí, indicam que sua composição não se assemelha com as dos demais tipos de asteróides conhecidos, sendo mais parecida com a de objetos artificiais como foguetes. Sua magnitude absoluta (28,9) também indica que ele tem apenas alguns metros de diâmetro, compatíveis com as de um estágio de um veículo espacial. Os cientistas, no entanto, vão continuar acompanhando seus movimentos em busca de mais pistas. E também não há motivo para pânico: seja um asteróide ou um pedaço de foguete, ele é tão pequeno que será totalmente desintegrado na atmosfera caso entre em rota de colisão com a Terra.

O 2010 KQ, no entanto, mostra o quanto a ação do homem também já começa a afetar o “meio ambiente” espacial. Já há muitos anos o lixo espacial é fator de grande preocupação em missões espaciais. E não é por menos: um simples parafuso de 10 gramas viajando a uma velocidade orbital de 35 mil km/h carrega a energia cinética de quase 473 mil joules, ou mais do que a de um carro de uma tonelada a 110 km/h. É um senhor impacto, que pode destruir satélites e causar acidentes com naves tripuladas. Mais de uma vez, a Estação Espacial Internacional teve que realizar manobras para se desviar de pedaços de lixo espacial que vinham em sua direção e, se o problema não for abordado, a órbita baixa da Terra vai virar um verdadeiro campo minado. A imagem acima, arte produzida pela Agência Espacial Europeia (ESA) mostra apenas os cerca de 12 mil objetos em órbita rastreáveis devido a seu tamanho, o que não inclui, por exemplo, o parafuso citado no exemplo... (Leia mais sobre a questão do lixo espacial neste especial da ESA, em inglês)
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