30 de jul. de 2010

Escola pública mais perto da pesquisa científica

Projetos na SBPC Jovem põem estudantes em contato com trabalhos desenvolvidos em todo o país

(Diário de Natal) Aproximar os jovens da ciência. Na SBPC Jovem, o objetivo da 62ª Reunião da SBPC é colocado em prática. No Circo da Ciência, localizado no ginásio do Departamento de Educação Física da UFRN, estudantes da rede pública de ensino têm a chance de conhecer pesquisas desenvolvidas em todo o Brasil, conversar com cientistas e participar dos experimentos.

Katiane Cristina Pereira Ramos, 16, e Milene Nelo da Silva, 17, estudam na Escola Estadual Djalma Marinho, no município de Passa e Fica, no interior do estado, e viajaram 90km para participar do evento. Para Katiane, as duas horas de viagem valeram a pena. "Essa é a primeira vez que venho. Estou achando ótimo. Só não fico, porque não dá. Estou tirando muito proveito. Acho que todos os jovens deveriam estar aqui", afirma.

Mas Katiane e Milene não vieram sozinhas. A Escola Estadual Djalma Marinho enviou vários estudantes. Depois de visitar todos os estandes da SBPC Jovem, as duas correram para a fila do planetário.

No segundo dia de atividades da 62ª Reunião Anual, o que mais chamou a atenção do estudantes das escolas públicas do estado, durante a SBPC Jovem, foi o planetário inflável, montado pelo Museu de Astronomia do Rio de Janeiro (MAST), em parceria com a Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciências (ABCMC). Segundo o físico e coordenador do estande na SBPC, Guilherme Mendes Thomaz, o projeto existe há 15 anos.

Neste período, o planetário inflável já foi montado em 88 municípios do Rio de Janeiro e em vários eventos científicos em todo o país. Estima-se que mais de 300 mil pessoas tenham visitado o planetário inflável desde que o projeto foi criado. O público é composto, grande parte, por estudantes de escolas públicas. Mesmo assim, quando o planetário é montado em áreas abertas, alguns adultos arriscam-se a conhecer um pouco mais sobre astronomia.

Por dia, ocorrem oito sessões. Cada uma dura em média 40 minutos. Sempre há gente na fila. "Aqui no planetário, nós resgatamosum assunto que já foi muito importante no passado", esclarece o físico Guilherme Mendes. Além do planetário inflável, os experimentos dos museus de ciência do Brasil também chamaram atenção dos estudantes. O segredo para atrair os visitantes, segundo os monitores, é deixá-los participar dos experimentos. Ao todo, são expostos 11 experimentos, como a bicicleta capaz de transformar energia mecânica em elétrica.

Colégios usam visita como estratégia pedagógica
Professores, coordenadores e diretores de escolas públicas de todo o estado estão usando a visita aos estandes da SBPC Jovem como estratégia pedagógica. A vice-diretora da Escola Municipal Antônio Severiano, de Natal, Jailde Marques, é uma delas.

Segundo Jailde, só nesta terça-feira, a escola levou 95 estudantes para a UFRN. Desse total, 45 participariam da SBPC Jovem e 50 da Feira de Ciência, Tecnologia e Cultura da UFRN (Cientec). Para ela, estimular a participação dos jovens em eventos científicos desperta neles o interesse pela ciência. "Para eles, essa é uma experiência muito importante", afirma.

Alice Maionara Moreira da Costa Sales, 14, estuda na escola Antônio Severiano e aguardava a sua vez na fila do planetário. "No planetário, eles (os monitores) contam a história da astronomia, falam dos principais astrônomos, das estrelas, das constelações. Eu acho importante, porque tem muita gente que não sabe nada sobre isso. Acho que quem entrar não vai se arrepender. Vale a pena ficar na fila. É muito legal".

A SBPC Jovem é voltada para estudantes dos ensinos fundamental, médio e técnico e conta com uma programação extensa. Ao longo da semana, serão ministrados 50 minicursos, 16 palestras e 12 exposições, além de oficinas, mostra de vídeos e lançamentos de livros.

O objetivo principal é mostrar que ciência não é só coisa de gente grande. Quem não demorou nada para aprender isso foi o estudante Reinaldo Laerte Matias, 10, da Escola Municipal Henrique Castriciano. Quando terminou a sessão no planetário, o garoto correu para os experimentos do Museu de Ciências. Passou por praticamente todos os experimentos e afirmou que preferia mais a bicicleta capaz de transformar energia mecânica em energia elétrica. Perguntado sobre como a conversão de energia ocorria, ele explicou. "É assim, eu sento aqui na bicicleta e começo a pedalar. Aí o rádio e o ventilador ligam".

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