7 de mar. de 2013

Descobertas sugerem começo cósmico gelado para aminoácidos e ingredientes do ADN



(Astronomia On Line - Portugal) Usando novas tecnologias acopladas ao telescópio GBT (Green Bank Telescope) do NSF (National Science Foundation) e em laboratório, investigadores descobriram um importante par de moléculas prebióticas no espaço interestelar. As descobertas indicam que algumas substâncias químicas, que são passos fundamentais no caminho para a vida, podem ter-se formado em grãos de poeira gelada flutuando entre as estrelas.

Os cientistas usaram o telescópio situado no estado americano da Virgínia Ocidental para estudar uma nuvem gigante de gás a cerca de 25.000 anos-luz da Terra, perto do centro da nossa Via Láctea. Os químicos encontrados na nuvem incluem uma molécula que se pensa seja percursor de um componente-chave do ADN e outro que pode ter desempenhado um papel na formação do aminoácido alanina.

Uma das moléculas recém-descobertas, denominada cianometanimina, é um passo no processo que os químicos pensam produzir adenina, uma das quatro nucleobases que formam os "degraus" na estrutura do ADN. A outra molécula, chamada etanamina, pensa-se que desempenhe um papel na formação da alanina, um dos 20 aminoácidos no código genético.

"A descoberta destas moléculas no espaço interestelar significa que os importantes blocos do ADN e dos aminoácidos podem 'semear' planetas recém-formados com os percursores químicos da vida," afirma Anthony Remijan, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory).

Em cada caso, as moléculas interestelares recém-descobertas são estágios intermédios, no processo de várias etapas químicas, que conduzem à molécula biológica final. Os detalhes dos processos não são ainda claros, mas as descobertas dão uma nova visão sobre onde estes processos ocorrem.

Anteriormente, os cientistas pensavam que esses processos tinham lugar no gás muito ténue entre as estrelas. As novas descobertas, no entanto, sugerem que as sequências de formação química destas moléculas não ocorreram em gás, mas nas superfícies de grãos de gelo no espaço interestelar.

"Precisamos de fazer mais experiências para melhor compreender como estas reacções funcionam, mas pode ser que alguns dos primeiros passos importantes na direcção destes químicos biológicos tenham ocorrido em minúsculos grãos de gelo," afirma Remijan.

As descobertas foram possíveis graças a novas tecnologias que aceleram o processo de identificação das "impressões digitais" dos químicos cósmicos. Cada molécula tem um conjunto específico de estados rotacionais que pode assumir. Quando muda de um estado para outro, uma determinada quantidade de energia ou é emitida ou absorvida, muitas vezes sob a forma de ondas de rádio em frequências específicas que podem ser observadas pelo GBT.

Novas técnicas laboratoriais permitiram aos astroquímicos medir os padrões característicos destas frequências rádio para moléculas específicas. Armados com estas informações, podem então fazer corresponder o padrão com os dados recebidos pelo telescópio. Os laboratórios da Universidade da Virginia e do Centro para Astrofísica Harvard-Smithsonian mediram emissões rádio da cianometanimina e da etanamina, e os padrões de frequência dessas moléculas foram então comparados com os dados publicamente disponíveis produzidos por um estudo feito com o GBT entre 2008 e 2011.

O estudo foi publicado na revista Astrophysical Journal Letters.

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