23 de dez. de 2014

As dez conquistas astronômicas de 2014

(Ulisses Capozzoli - Scientific American Brasil)  Ainda que não se tenha encontrado um mundo sósia da Terra e nem feito contato com uma provável civilização alienígena entre as estrelas, a comunidade astronômica internacional comemora as conquistas feitas ao longo de 2014, que se esgota em menos de quatro semanas.

A principal revista internacional de divulgação astronômica, a americana Astronomy, traz, na edição de janeiro, as dez principais conquistas do ano e a primeira delas é a detecção de poeira liberada pela explosão de estrelas massivas, as supernovas.

Ao fertilizar o espaço interestelar com matéria pesada (praticamente toda a tabela periódica) a partir do hidrogênio, as supernovas geram matéria prima para a formação de estrelas de segunda geração, como o Sol, menores, potencialmente acompanhadas de colares planetários, que estão se formando ou vão se formar e, neste sentido, mundos para o eventual abrigo da vida.

Uma dessas fontes é a supernova 1987ª, na Grande Nuvem de Magalhães e a segunda, na Supernova 2010jl, na galáxia UGC 5189ª.

A segunda das dez descobertas é a identificação de placas tectônicas numa das Luas de Galileu (Europa) em torno de Júpiter.

Em Europa há o mesmo processo de subducção que ocorre na Terra e, aqui, produz tanto sismos, quanto atividade vulcânica e formação orogênica, ou seja, criação de montanhas.

Placas tectônicas da lua Europa
Observações em Europa revelam o mergulho de placas, uma sob a outra, como ocorre com a placa de Nazca, sob o Pacífico, que se desloca sob a placa Sul Americana, a balsa rochosa que abriga todo o território brasileiro.

O mergulho de Nazca sob a Sul Americana deu origem aos Andes que ainda continua crescendo, à medida que Nazca eleva a borda ocidental da placa Sul Americana.

Na terceira posição está o corpo eventualmente mais distante do Sol, em todo o Sistema Solar: o 2012VP, integrante do Cinturão de Kuiper, um anel de escombros que envolve o reino do Sol, a caminho da área de ação de outras estrelas próximas.

Em seguida vem a comemoração de medidas com precisão de 1% de galáxias remotas e por isso mesmo também distantes no tempo. Comparativamente a precisão equivale à medida entre Dallas e Austin, no Texas, de 300 km, com precisão de 3 km.

Na quinta posição aparece a detecção de ondas gravitacionais a partir de um observatório no polo geográfico sul que, se confirmadas por estudos que ainda estão sendo feitos, devem trazer avanços significativos na física, com perspectiva de abrir um caminho teórico para a sonhada unificação da gravidade e mecânica quântica.

Uma segunda lua do Sistema Solar, Enceladus, em Saturno, não deixou de surpreender ao revelar a existência de um oceano profundo abaixo de uma camada superficial rígida, mas formada por gelo.

O oceano de Enceladus já era suspeito há tempos mas, desta vez, observações feitas pela missão Cassini, em órbita do planeta dos anéis, reforça essa ideia.

Vida alienígena
Um oceano em Enceladus permite especulações sobre a possibilidade de formas de vida como as que existem em determinadas regiões polares da Terra e mesmo no interior de um lago selado pelo gelo, na Antártida, recentemente perfurado por pesquisadores russos.

O comemorado encontro da Nave Rosetta com o cometa 67PChuryumov-Gerasimenko, que fez descer na superfície do astro uma sonda (Philae) é a sétima conquista do ano na avaliação da Astronomy.

A sonda está em modo hibernação por não estar recebendo radiação solar que alimenta suas baterias solares. Mas ela já enviou uma enorme quantidade de dados para a Terra e espera-se que volte a operar à medida que se aproxima do Sol para fazer seu periélio, a máxima aproximação de sua órbita elíptica.

Na oitava posição aparece o buraco negro que se oculta no interior da galáxia M82 e que tem massa intermediária, estimada em 400 massas solares. No coração da Via Láctea, a galáxia que abriga o Sistema Solar, um buraco negro também se esconde e é muito mais massivo, com milhões de massas solares.

Neutrinos de fontes celestes
A nona comemoração, como a quinta, também vem de um experimento no pólo sul, no interior do continente antártico.

Um detector de neutrinos, partículas com quase nenhuma interação ‒ tanto que podem atravessar todo o corpo da Terra sem serem detidos ‒ foram identificados como originários de fontes celestes.

Relativamente próximo da Terra ‒ oito minutos luz de distância ‒ o Sol também é uma fonte de neutrinos, conhecidas como “partículas fantasmas” por sua baixa interação com a matéria.

Neutrinos atuam na fase final da explosão de supernovas e o papel que desempenham foi desvendado pelo físico brasileiro Mario Schenberg em parceria com o físico russo naturalizado americano George Gamow, batizado de Processo Urca, por analogia à velocidade com que se perdia dinheiro no antigo cassino da Urca, no Rio de Janeiro.

Já a décima posição é representada pela detecção de vapor d’água da superfície do asteróide Ceres ‒ o maior dessa família de astros, identificado, em 1801, pelo astrônomo italiano Giuseppe Piazzi, a partir do Observatório de Palermo, na Sicília, sul da Itália.

Ao contrário de corpos localizados no Cinturão de Kuiper, além da órbita de Netuno (a órbita elíptica de Plutão faz com que, temporariamente, ele penetre a órbita de Netuno) Ceres integra o cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente