Índios reivindicavam fim da construção em vulcão, considerado solo sagrado. Telescópio Trinta Metros será um dos mais avançados do mundo.
(G1) A construção de um telescópio no Havaí, com custo estimado em US$ 1,4 bilhão, deve ser reiniciada na próxima quarta-feira (24), depois de uma interrupção de quase dois meses devido ao protesto de indígenas da região. Segundo os nativos, o solo onde será instalado o telescópio Trinta Metros, nos arredores do vulcão Mauna Kea, é considerado sagrado.
As informações são da agência de notícias Associated Press.
Henry Yang, um dos responsáveis pelo projeto que será administrado por um consórcio de institutos de pesquisa dos Estados Unidos, China, Índia e Japão, confirmou em comunicado a decisão de seguir adiante com as obras, após meses de consultas.
“Nosso período de inatividade nos ajudou a ser uma melhor organização no longo prazo", afirmou Yang."Agora estamos confiantes de que podemos ser melhores administradores e melhores vizinhos durante a utilização temporária e limitada desta terra preciosa, que nos permitirá explorar os céus e expandir as fronteiras da ciência”, complementou o responsável pelo projeto.
O empreendimento causou uma série de manifestações na região, levando à interrupção da obra, em abril. Sobre a retomada do empreendimento, Kealoha Pisciota, uma das manifestantes e responsáveis por uma petição que impugnava a instalação do telescópio, se disse decepcionada com a decisão.
“Creio que é uma demonstração de falta de boa fé”, disse ela, por telefone, à Associated Press. Ela adverte que os protestos continuarão.
O Trinta Metros foi projetado para ser um dos equipamentos mais avançados de observação óptica no planeta, capaz de auxiliar em estudos sobre o Sistema Solar, a Via Láctea e galáxias vizinhas. Os cientistas sustentam que a localização é ideal para o telescópio, já que isso vai permitir investigar as primeiras épocas do Universo.


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