21 de out de 2015

Professores usam a criatividade para melhorar aprendizado, em Manaus

Profissionais da rede pública contam como vencem as dificuldades do dia a dia.



(D24am) Professores de escolas públicas do Amazonas driblam as dificuldades e demonstram, na data dedicada a eles, que dar aulas inovadoras transforma a realidade de aprendizado dos estudantes.

É o caso de Soraya Freire, que ministra aulas para turmas do 1º ao 5º ano na Escola Estadual Carvalho Leal, no bairro Cachoeirinha, zona sul de Manaus. Recorrendo a músicas de funk, a professora - premiada nacionalmente oito vezes com projetos de educação - acredita que os métodos ajudam a mudar as avaliações nacionais. Entre as premiações dela estão o Professores do Brasil e o prêmio Incentivo à Educação Fundamental do Ministério da Educação (MEC). “Eu, particularmente, odeio funk, mas sou profissional, tenho que entrar no mundo desses jovens, então trabalhei interpretação de texto com uma música do MC Gui, que fala sobre a favela, sobre vencer pelo seu próprio esforço e eles corresponderam muito bem”, observou.

As letras de música na interpretação de texto foi o recurso encontrado por Soraya ao perceber a queda no desempenho dos alunos. O baixo aprendizado, aliás, foi apontado na Prova Brasil de 2013. Segundo dados mais recentes do MEC, de cada cem estudantes da rede pública do Estado, três alcançaram, na avaliação, o percentual mínimo em Matemática, no 3º ano do Ensino Médio. Na disciplina de Língua Portuguesa, 14,6% dos alunos conseguiram aprendizado adequado.

Exercendo a profissão há 27 anos, Soraya orgulha-se de ter 52 alunos premiados, sendo dois deles nacionalmente, apesar das adversidades. Segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a cada 100 alunos da escola, cerca de 27 não foram aprovados pela avaliação do MEC. “Os problemas não ficam da porta pra fora da escola, isso é verdade. Se não fosse meu marido, eu passava fome com o meu salário, mas o aluno não tem culpa se o governo não aumenta nosso salário, se a escola não tem condições de trabalho. Se o professor é amargo, aí que o aluno não corresponde mesmo”, disse.

Esforço e criatividade
No município de Parintins (369 quilômetros ao sudeste da capital), a professora de Educação Física da Escola Estadual Padre Jorge Freizzinni, Camilla Oliveira, precisa adaptar as aulas devido à falta de uma quadra coberta na escola.

A aula de ginástica com os alunos é feita no corredor externo do colégio, um local apertado onde Camilla estende um pano e tenta passar os fundamentos do esporte. Para ensinar vôlei aos pequenos, amarra a rede nas árvores de jenipapo. “A gente tenta adaptar tudo porque não tem um lugar adequado para as crianças, falta material. Eu poderia ficar só dentro de sala, mas a gente busca sempre sair, fazer atividades ao ar livre”, explicou, acrescentando que, para trabalhar a coordenação motora, recorre a brincadeiras que já não fazem parte do mundo infantil atual, como elástico, corda e barra-bandeira’.

Para ensinar cálculos de raciocínio lógico, a professora monta quadros de sudoku, um quebra-cabeça baseado na colocação lógica de números. Aulas de zumba, gincanas e dinâmicas entre alunos tomam o lugar da tradicional ‘queimada’. “Todo domingo eu penso o que vou fazer para chamar a atenção dos meninos, pesquiso, busco novos meios, avaliando a capacidade dos alunos para fazer diferente. Dificuldades a gente tem, mas é o meu trabalho, quero fazer o melhor possível”, disse a professora, que ministra aulas para mais de 400 alunos.

De olho nas estrelas
Ensinar conceitos sobre Astronomia, de forma dinâmica e criativa, é um dos trabalhos que integram as atividades do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Astronomia (Nepa) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que leva para as escolas das comunidades ribeirinhas do Estado caça-palavras, quebra-cabeças e outros jogos relacionados às constelações e ao Sistema Solar. Segundo o coordenador, Nélio Sasaki, o objetivo do projeto é popularizar o conhecimento na área. “A parte mais gratificante é perceber o desenvolvimento do aluno. A gente pensa que sempre está plantando uma semente. E esse desenvolvimento do aluno e a perspectiva de melhoria de vida são as melhores coisas da vida de um professor”, disse.

Anuário aponta realidade de violência
O 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na semana passada, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela uma realidade de constante violência entre alunos e professores. Ameaças, furtos, roubos com o emprego de violência e até tentativas de assassinato estão entre as situações sofridas por diretores e professores, no ambiente escolar.

No ano passado, segundo o estudo, 9,4% dos diretores do Amazonas tiveram objetos pessoais furtados dentro da escola em que trabalhavam. Dos 6.228 gestores entrevistados, no Estado, 121 tinham sido vítimas desse tipo de crime.

Neste ano, segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), nenhuma solicitação expressa de afastamento foi solicitada por professores alegando ameaças motivadas por estudantes.

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