22 de jan de 2016

“Vida extraterrestre pode ser encontrada nos próximos 20 anos”


(Luxemburger Wort) A comunidade astrofísica acredita que “nos próximos 20 anos será possível identificar um planeta semelhante à Terra onde exista vida”, ainda que não seja “a vida como a conhecemos no nosso planeta”. A frase é do astrofísico português Pedro Russo, que na segunda-feira deu uma palestra sobre astronomia no Instituto Camões, na cidade do Luxemburgo.

“Há mais estrelas no Universo do que grãos de areia na Terra e estima-se que cada astro possa ter planetas a orbitar à sua volta. Tudo isso torna provável que a vida exista noutro lugar além do nosso planeta”, explica Pedro Russo, que é coordenador do projecto educativo Universe/Space Awareness, na Universidade de Leiden, na Holanda, onde ensina e faz investigação na área dos exoplanetas (planetas que se situam fora do nosso sistema solar).

Russo falou da sua paixão por esta ciência, para a qual despertou em criança na sua terra natal, Figueira de Castelo Rodrigo, onde cresceu a observar o céu e as estrelas, com os quais, garante, acabou por criar uma ligação muito próxima.

“A representação mais antiga de um cometa encontra-se no abrigo rupestre da Pala Pinto, em Alijó, no Vale do Tua. Entre essa gravura pré-histórica e esta foto da sonda Roseta, que nos permitiu pousar um robot na superfície de um cometa em 2014, passaram apenas 7 mil anos!”. Com uma só frase, o astrofísico Pedro Russo cativou definitivamente a atenção do público e resumiu a civilização humana e a sua ambição de ir cada vez mais longe para responder a questões como de onde viemos ou a origem da vida.

A TEORIA DE EINSTEIN NO NOSSO BOLSO
Tendo como pano de fundo o Ano Internacional da Luz, que se assinalou em 2015, Pedro Russo deixou clara a importância da Luz Cósmica nos cálculos e descobertas dos astrofísicos, que em muito têm contribuído para aumentar o conhecimento, não só sobre o Universo, mas também têm sido transversais a áreas como a pesquisa científica, a cultura, a sociedade, a tecnologia e a indústria.

“A Teoria da Relatividade de Einstein está hoje no nosso bolso. Graças a essa teoria, todos nós utilizamos diariamente tecnologia espacial, através do GPS dos nossos smartphones, que está constantemente a calcular a nossa posição relativamente a três satélites em órbita à volta da Terra”, nota.

Não faltaram ainda histórias de cometas, estrelas, planetas e da evolução tecnológica que tem revolucionado esta área da ciência.

Através de imagens magníficas captadas por telescópios espaciais e outras fotografias feitas desde a Terra, nas quais se vislumbra o Universo, as galáxias, estrelas e a Via Láctea, muitas das quais a partir de regiões em Portugal, Pedro Russo seduziu a plateia.

“Um dos melhores lugares para observar estrelas à noite no continente europeu é no Alentejo, onde não há grandes cidades e ainda há poucas luzes”, destacou. O astrofísico apontou os efeitos negativos das luzes artificiais nas observações estelares nas grandes cidades, que afastam cada vez mais a população da beleza celestial que é possível contemplar. O investigador abordou também a sensível questão dos efeitos negativos da luz artificial sobre os ecossistemas.

“Há uma espécie de escaravelho que de noite segue a Via Láctea e há tartarugas que se orientam pelas estrelas. Devido às luzes intensas das cidades, muitas espécies ficam desorientadas e não chegam aos locais onde costumam acasalar e dar à luz, o que as põe em perigo de extinção”, alertou.

Durante os quatro dias em que esteve no Luxemburgo, Pedro Russo visitou ainda escolas em Soleuvre e Diekirch, para despertar o interesse dos mais jovens para a ciência, falando-lhes sobre as estrelas e o Universo.

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