9 de ago de 2016

Clube da Ufam populariza astronomia entre universitários e público externo

Atividade acontece todas as quartas às 18h no campo da FEFF



(UFAM) As noites de quarta-feira ganharam significado especial para um grupo de acadêmicos do Instituto de Ciências Exatas (ICE) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Estudantes do curso de Física se reúnem todas as quartas a partir das 18h no campo da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (FEFF) para observar o céu à noite. Trata-se do Clube de Astronomia da Ufam, uma atividade que vem chamando a atenção de mais pessoas a cada dia.

O Clube de Astronomia é um Programa de Atividade Curricular de Extensão (PACE) vinculado ao Departamento de Física e coordenado pela Pró-Reitoria de Extensão e Interiorização (Proexti). Equipados com dois telescópios, professores e alunos, com o apoio de astrônomos amadores, realizam observações astronômicas e aulas informais sobre os astros e o Universo. A missão do projeto, além de contribuir para a formação dos acadêmicos, é despertar nas pessoas o desejo de aprender os segredos do cosmos.

“Nossos esforços são no sentido de incentivar na comunidade universitária e na população o gosto pela astronomia”, diz o vice-coordenador do Clube, professor Walter Esteves de Castro Júnior. “Quando nós chegamos a uma cidade ou bairro desconhecido, no começo só sabemos as ruas principais. Com o tempo vamos conhecendo o lugar de verdade. É a mesma coisa com o céu”, ilustra.

As sementes do projeto
Sob a coordenação do professor Marcelo Brito da Silva, o Clube de Astronomia da Ufam passou a existir oficialmente em junho de 2016, mas as observações vinham acontecendo esporadicamente há mais tempo. Ainda em 2009, o Departamento de Física adquiriu três telescópios, que eram utilizados para a disciplina de Universo dos cursos de Física e Ciências Naturais. O equipamento até então se restringia ao uso em sala de aula e em eventos como a Semana de Ciência e Tecnologia do ICE.

Em 2015, o esforço do professor Walter Esteves de popularizar a astronomia foi de encontro à paixão de um acadêmico pelos corpos celestes. Paulo Ricardo Borges de Medeiros, 21, finalista do curso de Administração da Ufam, sempre gostou da ciência dos astros. O hobby acabou levando-o até o projeto. “Fiquei sabendo através de um colega sobre o equipamento e entrei em contato com os professores. Juntos, arrumamos e testamos os telescópios; vimos que funcionavam perfeitamente e começamos a organizar pequenas observações”, relata o estudante, que atualmente é um dos participantes mais ativos do Clube.

As primeiras observações astronômicas reuniam de 15 a 20 pessoas, em sua maioria estudantes do ICE. Com o crescimento do público, surgiu a ideia de transformar a atividade em um projeto de extensão. Depois de definidas equipe e atividades, o projeto foi submetido e aprovado. Hoje, as reuniões chegam a atingir até 150 participantes em uma noite. Monitores, professores e astrônomos amadores recebem o público que vem observar o céu, tirar dúvidas e aprender.

Ajuda de fora
As atividades do Clube de Astronomia não são restritas aos universitários. Qualquer pessoa que tiver interesse pode participar das observações. O projeto conta inclusive com o apoio de voluntários, como a estudante de Biologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Yara Laiz Souza. Por meio de seu próprio trabalho de divulgação científica, a jovem descobriu o Clube e se juntou a ele.

“Venho para contribuir com o que sei”, explica a estudante. “Astronomia é um campo bastante ativo cientificamente, que causa curiosidade em pessoas de várias idades. Elas vêm a uma observação e saem daqui encantadas. É nossa missão compartilhar este conhecimento”, afirma.

Conhecimento que se estende
Na avaliação dos coordenadores do Clube de Astronomia, além de incentivar os alunos a se engajarem na vida acadêmica e contribuir para a formação dos futuros professores e pesquisadores, o projeto também cumpre uma das principais vertentes da Universidade, que é a extensão.

“Nós temos esses dois impactos positivos”, analisa o professor Marcelo Brito. “Por um lado, os alunos nos dão um bom retorno, dá para ver que estão felizes participando do projeto. Por outro, há o público. Ver as pessoas tendo acesso a esses telescópios, conhecendo os astros, é fascinante. O público externo está presente, nos prestigiando. É gratificante saber que estamos realizando nosso objetivo”, considera.

O estudante de Física do 1° período na Ufam, Allwylliam Melo Negreiros, 25, foi incentivado desde o início a participar do Clube. O projeto foi uma oportunidade de perseguir um interesse que o acompanha desde o Ensino Médio. “Sempre gostei de astronomia, mas nunca tive uma oportunidade de aprender tanto a respeito como estou tendo agora”, revela. O que era curiosidade se transformou em propósito, já que Allwylliam pretende continuar o estudo no campo. “Agora, vai além de um hobby para mim, mas tudo se fecha em conhecimento e aprendizado que vão ficar pelo resto da vida”, declara.

Para o professor Walter Esteves, a influência do Clube de Astronomia vai ainda mais longe. “Muitas crianças que vierem a uma observação sairão daqui encantadas e vão passar a se interessar pelas aulas de Ciências, vão considerar perseguir essa área de estudo. Isto é incentivo à prática científica”, afirma. “É isso que queremos: mostrar que na academia não formamos apenas futuros professores e bacharéis, mas que acolhemos e incentivamos a comunidade. Este é o resultado que buscamos”, conclui.

Para o futuro, a equipe por trás do Clube de Astronomia planeja ampliar suas atividades incluindo oficinas, palestras e workshops. Até lá, todos que quiserem participar das observações astronômicas são bem-vindos.

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