24 de ago de 2016

Estudantes selecionados para estágio na Nasa vão trazer experiência para o Brasil

Numa parceria com a AEB, Flavio Altinier e Gabriel Militão vão passar 10 semanas na agência espacial norte-americana. Alunos do Ciência sem Fronteiras, os jovens foram selecionados entre mais de 400 candidatos

(JC) Uma parceria entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Nasa levou dois estudantes brasileiros para um estágio de 10 semanas na agência espacial norte-americana dentro do Programa I². Alunos de Engenharia da Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Flavio Altinier, 24 anos, e Gabriel Militão, 22 anos, foram selecionados entre 400 candidatos e embarcaram em julho para uma experiência que pode ser decisiva para o futuro de cada um deles.

No Ames Research Center (ARC), em Palo Alto, na Califórnia, eles atuam em pesquisas diferentes. Enquanto Flavio trabalha com análise de dados, Gabriel desenvolve um aplicativo sobre terremotos dentro do World Wind, uma plataforma de visualização do globo terrestre criada pela Nasa. Em comum, a vontade de aprender com os melhores pesquisadores do mundo.

“O estágio está sendo sensacional. A experiência de trabalhar em um projeto cientificamente complexo e, ao mesmo tempo, com um gigantesco potencial de impacto na vida das pessoas é extraordinário”, afirmou Gabriel.

“É uma experiência engrandecedora em todos os sentidos”, acrescentou Flavio.

O processo de seleção foi longo. Começou com um edital lançado pela AEB, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em fevereiro de 2016. O objetivo era escolher estudantes do programa Ciência sem Fronteiras que já estivessem nos Estados Unidos. Mais de 400 se candidataram, o que levou a AEB a ampliar de cinco para 15 o número de selecionados para a segunda etapa. Entre eles, Flavio e Gabriel, que passavam uma temporada na Universidade Cornell, em Nova Iorque, foram chamados para o estágio na Nasa.

“O nível dos candidatos era muito alto. Por isso, optaram por selecionar mais pessoas do que o previsto”, lembrou Gabriel Militão.

“Por fim, eu e o Gabriel tivemos a felicidade de ser os escolhidos”, completou Flavio Altinier.

Impactos positivos
O Brasil só tem a ganhar com a iniciativa, avalia o diretor de Satélites da AEB, Carlos Gurgel. Isso porque, além de ampliar os conhecimentos na área, os jovens trazem na bagagem a “cultura da Nasa”. “O profissional brasileiro não só trabalha lá, mas entende como funciona a cultura da Nasa, como eles trabalham a questão da infraestrutura de laboratórios, como se planeja o orçamento para as pesquisas. Mesmo o garoto de graduação traz a experiência adquirida lá e recicla o nosso conhecimento. Isso abre portas para que nós possamos evoluir”, disse Gurgel.

Parceria
Esta foi a primeira vez que a Agência Espacial Brasileira participou do Programa I², e a ideia é manter a parceria nos próximos anos. Segundo Gurgel, uma proposta está em discussão para que a AEB envie pelo menos três estudantes brasileiros para estágios de verão na Nasa. “Estamos trabalhando para construir um método para que possamos financiar o envio dos estudantes, pelo menos três a cada ano. Esse é um bom número e vai permitir a perenidade dessa parceria com a Nasa”, destacou.

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