1 de out de 2016

Sylvio Ferraz Mello: Uma trajetória singular

Estudos do astrofísico ajudaram a entender características e anomalias na órbita de asteroides e outros corpos celestes


(Pesquisa Fapesp) Em 22 de maio, o paulistano Sylvio Ferraz Mello, professor emérito e ex-diretor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), esteve em Nashville. A visita à meca da música country não era para assistir a shows. Ferraz Mello foi aos Estados Unidos para participar da reunião anual da Divisão de Astronomia Dinâmica da Sociedade Americana de Astronomia, que o agraciara com o Brouwer Award, prêmio concedido a pesquisadores que deram uma contribuição de destaque na área.

A astronomia dinâmica estuda os movimentos dos corpos celestes, como satélites, planetas e asteroides, regidos principalmente pelas interações gravitacionais entre esses objetos. Não é uma área que costuma gerar manchetes em publicações não especializadas. Mas suas teorias, equações e modelos são a base para explicar por que o Sistema Solar e, mais recentemente, os conjuntos de exoplanetas exibem suas atuais configurações.

Físico de origem, Ferraz Mello é o associado número 1 da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB). Fez doutorado na Universidade de Paris (Sorbonne) em 1967. De 1987 a 1994, foi coordenador adjunto da área de Exatas e Engenharias da FAPESP. Em sua carreira, estudou as órbitas de satélites, de asteroides e, ultimamente, de exoplanetas. Seus modelos ajudaram a entender, entre outras questões, por que há muitos asteroides no Sistema Solar com período orbital de oito anos e poucos ou quase nenhum com período de quatro e seis anos.

Um dos fenômenos mais estudados por Ferraz Mello é a ressonância, um tipo de influência gravitacional que um corpo celeste exerce sobre outro quando seus períodos orbitais são comensuráveis. Ou seja, quando o período de um é uma proporção racional do outro, como no caso de asteroides que demoram seis anos para dar uma volta ao Sol, metade do tempo necessário para Júpiter completar a mesma tarefa. Nesta entrevista, além das pesquisas, Ferraz Mello conta um pouco de sua trajetória, que inclui a passagem pela astronomia do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), pelo Observatório Nacional (ON), a longa carreira na USP e a participação no trabalho de prospecção do sítio em que seria instalado nos anos 1970 o Observatório do Pico dos Dias, do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA). “Descobrimos o lugar quase por acaso”, lembra, ativo, em sua sala no IAG, às vésperas de completar 80 anos em outubro.

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