19 de jun de 2017

Projeto independente leva ensino de astronomia a escolas públicas e particulares da Grande Florianópolis

Projetos "Observar e Experimentar" e "Astronomia e Física ao Alcance de Todos" apresentam conceitos básicos da astronomia para alunos




(Hora de Santa Catarina) Uma reconexão com o movimento de estrelas e planetas e com os ciclos da vida regidos pelos astros. Esta é a proposta dos projetos "Observar e Experimentar" e "Astronomia e Física ao Alcance de Todos", que resgatam o estudo dos céus e apresentam conceitos básicos da astronomia para alunos de escolas públicas e particulares da Grande Florianópolis.

Criado em 2010 em Medellín, na Colômbia, a iniciativa chegou em Santa Catarina no ano de 2012, quando os colombianos Ricardo Gutierrez Garcés, físico de 35 anos, e Cindy Estrada, engenheira química de 24 anos, se mudaram para Florianópolis. Aqui, conheceram o geógrafo Eliézer Conceição e o psicólogo Nicolas Lidner, e decidiram levar a ideia adiante.

— Hoje, os olhares estão voltados para as telas, não para a natureza ou o céu. Então, a proposta é que a gente volte a ser observador. Esquecemos que os principais ciclos da vida, como o dia e a noite, as estações do ano e as fases da lua têm a ver com os ciclos astronômicos — explica Ricardo.

Na semana passada, o projeto foi apresentado aos alunos da 5ª Série do Ensino Fundamental da Escola Internacional Sociesc, no Itacorubi. Para despertar o olhar astronômico nas crianças, a aula conta com um instrumento criado 2.300 anos atrás, que chama a atenção: a esfera armilar, basicamente um modelo reduzido do cosmos visto por um observador na Terra.

— A esfera armilar é um instrumento que permite uma "viagem" para qualquer lugar, em qualquer época do ano. Com a movimentação dos diversos anéis que formam o instrumento, é possível ver como estão as estrelas no céu em cada lugar do planeta — conta Eliézer.

A pequena Carolina, de 11 anos, estava com os olhos vidrados durante toda a aula, atenta à qualquer palavra dita pelos astrônomos. Assim que houve uma brecha, saiu da roda de conversa para ver a esfera armilar de pertinho, pela primeira vez.

— Gostei muito de saber o lugar onde os planetas ficam no céu e poder encontrá-los de noite. Vou procurar todos que eu puder, principalmente Saturno, que eu acho muito lindo — disse Carolina.


Tempo e espaço da astronomia
Como qualquer outra ciência, a astronomia está em constante transformação, desde o início da história da humanidade. Se antigamente a observação era feita a olho nu, hoje enviamos homens e mulheres ao espaço e temos instrumentos como o telescópio Hubble, que permite vermos os confins do universo. Para chegar até aqui, a caminhada foi longa.

A humanidade já estava na Terra há milhares de anos quando, por volta do ano 100 d.C., o filósofo grego Cláudio Ptolomeu desenvolveu a teoria do geocentrismo (aquela em que a Terra é o centro do universo). Cerca de 1.400 anos depois, o astrônomo polonês Nicolau Copérnico apresentou a teoria do heliocentrismo (aquela em que o Sol é o centro do universo). Hoje, a teoria científica mais aceita é a de que o universo começou com uma grande explosão, o Big Bang, e está em constante expansão, sem haver um ponto central.

Com tantas teorias, a astronomia se mostra uma ciência que envolve diversas áreas do conhecimento e que trata do universo e dos corpos celestes, a fim de situá-los no tempo e no espaço, além de explicar sua origem e seu movimento. Física, química, matemática, até mesmo geografia.

— Tudo isso colabora para conhecer o lugar, passar a entender quais elementos interagem conosco e como podemos usar isso a nosso favor, fazendo uma leitura e uma relação do meio ambiente com o ser humano. É a observação da nossa própria existência — comenta o geógrafo Eliézer Conceição.

Para o físico Ricardo Garcés, este é o primeiro passo para que as pessoas se reconectem com a natureza e os astros, e voltem a ter uma vida em sociedade que realmente pense no bem do nosso planeta.

— Com a astronomia, a gente começa a conhecer melhor o lugar que habita e também se conecta a outros lugares. Saber o espaço que ocupamos no universo é o primeiro passo para cuidar bem dele — afirma.

A esfera armilar e o mito de Hermes
Um dos instrumentos que permite conhecer um pouco melhor o lugar que habitamos é a esfera armilar. Partindo da perspectiva de um observador situado na Terra, o instrumento é formado por uma rosa dos rumos, na base, um globo terrestre, no centro, um anel que representa a divisão entre o dia e a noite, outro que representa a Linha do Equador e mais dois que servem de suporte para a disposição do sistema solar.

O pessoal dos projeto "Experimentar e Observar" constrói este e outros instrumentos em madeira, como astrolábios, relógios de sol e lunários, e leva às escolas para que as crianças possam mexer, experimentar e brincar à vontade.

— Eu já conhecia a esfera [armilar], porque meu pai tinha me falado, mas nunca tinha mexido em uma. Gosto de aprender mais sobre o sistema solar e poder saber onde cada planeta nasce no nosso céu — conta o garoto Zion, de 10 anos.

Uma das coisas que Zion e os outros alunos também aprenderam com o projeto foi o "Mito de Hermes", personagem da mitologia grega, e a curiosa posição do planeta mais perto do sol. Os romanos absorveram a história grega do veloz Hermes, mas passaram a chamá-lo de Mercúrio, por estar associado à velocidade e ser representado por um homem vestindo um capacete com asas.

A velocidade da divindade romana Mercúrio vem, em realidade, da rapidez com que o planeta de mesmo nome aparece e "desaparece" no céu. Ao longo de parte do ano, Mercúrio desponta no céu no fim da madrugada, cerca de 30 minutos antes do sol nascer, bem acima da posição da nossa estrela. Assim que o sol aparece, é impossível enxergá-lo por causa da luminosidade. Na outra metade do ano, Mercúrio "nasce" depois do sol, o que impede o avistamento aqui da Terra.

— Não sabia que Mercúrio nascia quase na mesma hora que o Sol. A gente só tinha estudado os nomes e as posições do planeta, mas nunca onde eles nascem no nosso céu. Agora, vou ficar de olho para tentar enxergá-lo — disse Kayla, de 10 anos.

Escolas interessadas nos projetos podem entrar em contato:
Ricardo Garcés: (48) 99826.9986
www.instrumentosastronomicos.com
facebook.com/astronomicosBrasil

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