21 de abr de 2018

2019 – ANO INTERNACIONAL DA LUA: tentamos, não conseguimos. De cabeça erguida seguimos.




CARTA ABERTA À COMUNIDADE ASTRONÔMICA BRASILEIRA

2019 – ANO INTERNACIONAL DA LUA: tentamos, não conseguimos. De cabeça erguida seguimos.

Em novembro de 2015 (dois mil e quinze) o Grupo de Apoio em Eventos Astronômicos (GaeA), por meio de Saulo Machado e equipe, contando com a forte colaboração de Alexandre Amorim, do Núcleo de Estudos e Observação Astronômica José Brazilício de Souza (NEOA-JBS), teve a ideia de propor, especificamente para 2019, o Ano Internacional da Lua.

Além de aproveitar efemérides importantes e históricas vinculadas ao estudo e exploração do nosso satélite, a ideia seria sugerir uma grande mobilização de cunho astronômico, parecido com o que aconteceu no Ano Internacional da Astronomia, em 2009.

A diferença é que, no caso do Brasil, após terminado o ano proposto, teríamos a estratégia de manter o ritmo de atividades com os grupos, os observatórios, os planetários e outras instituições ligadas à difusão da Astronomia que tivessem participado, algo que poderia ter acontecido quando o Ano Internacional da Astronomia foi encerrado.

Diante da importância dessa proposta e do alcance que poderia conquistar, preferimos contatar alguns órgãos oficiais para que essa ideia pudesse adquirir o formato ideal e, assim, ganhar alguma repercussão.

Ainda em novembro de 2015 tentamos contato com o escritório da UNESCO no Brasil, mas não tivemos retorno. Fizemos contato preliminar com a diretoria da SAB (biênio 2014/2016) também por meio dos seus canais formais de comunicação, mas também não houve retorno.

O tempo passava e decidimos então contatar diretamente a União Astronômica Internacional (IAU). Como na IAU existem diversas comissões e não sabíamos qual exatamente mandar essa proposta, tentamos contato com um dos coordenadores do Ano Internacional da Astronomia para indicar o caminho e os procedimentos necessários. Ao contrário do que houve no Brasil, tivemos o retorno do Dr. Pedro Russo, que foi um dos coordenadores do Ano Internacional da Astronomia e nos deu algumas orientações sobre para qual comissão da IAU enviaríamos nossa proposta.

Traduzimos a proposta para o inglês e buscamos os contatos de todos os membros da comissão indicada por ele. A carta pode ser lida em anexo. Note que colocamos na proposta diversas efemérides vinculando-as a diversos países do mundo para evitar qualquer uso unilateral ou político-ideológico da ideia.

Em dezembro de 2015 começamos a enviar a proposta para todos os membros da comissão da IAU sugerida pelo Dr. Russo. Para tentar evitar ao máximo extravios e esquecimentos do assunto, enviamos também cópia da proposta para os membros do Comitê Executivo da IAU, inclusive para o Outreach Office.

Finalmente, em fevereiro de 2016, recebemos retorno do Dr. Nader Haghighipour, presidente de uma das divisões da IAU. Ele solicitou uma proposta mais detalhada incluindo sugestões de atividades. Diante desse retorno preparamos um cronograma preliminar para todo o ano de 2019, aproveitando eclipses, ocultações, conjunções e as fases da Lua para aquele ano e enviamos prontamente para ele ainda naquele mesmo mês.

Após recebimento do cronograma tivemos o retorno do Dr. Nader de que a proposta sobre o Ano Internacional da Lua seria encaminhada para os outros comitês da IAU.

Nos meses seguintes fomos ocasionalmente perguntando se havia algum retorno sobre a proposta. Isso se estendeu até novembro de 2016, quando Dr. Nader solicitou que os contatos seguintes fossem feitos diretamente ao Dr. Sze-leung Cheung, diretor do IAU Office of Astronomy Outreach. Essa orientação foi feita porque meses antes a proposta foi discutida entre eles.

Para nossa alegria eles haviam achado a ideia excelente, mas concluíram que seria extremamente difícil avançar a proposta junto a UNESCO e ter um retorno satisfatório. Eles pensaram então em adaptar a ideia da proposta aos 100 anos da IAU que será comemorado no mesmo ano (2019). Insistimos para que eles não abandonassem a ideia de tentar a UNESCO e oferecemos toda a ajuda possível caso eles encontrassem alguma dificuldade.

Mais alguns meses se passaram e fizemos um último contato com o Dr. Sze-leung Cheung, em abril de 2017. Desde então não tivemos mais resposta. Ainda tínhamos alguma esperança de reverter a situação até que em junho do mesmo ano (2017) a UNESCO proclamou o ano de 2019 como “Ano Internacional das Línguas Indígenas”.

Apesar do balde de água fria ainda tínhamos uma pequena expectativa porque ao pesquisarmos percebemos que alguns anos internacionais passados tiveram mais de um tema. O tempo foi passando até que no final de 2017 perdemos todas as esperanças diante do curto tempo (pouco mais de um ano) para tornar real a proposta de 2015.

No início de 2018 a IAU divulgou a programação das atividades vinculadas aos 100 anos da instituição. Curiosamente está lá, numa das propostas de atividades, as comemorações dos também 100 anos do eclipse de 1919, justamente uma das atividades que havíamos sugerido para o eventual Ano Internacional da Lua:

https://www.capjournal.org/issues/23/23_05.pdf

E mais recentemente a UNESCO proclamou 2019 também como Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos, com a IAU endossando a celebração como pode ser visto aqui:

https://www.iau.org/news/announcements/detail/ann18013/

Concluindo, pegamos a nossa ideia original e adaptamos para a proposta que chamamos de Anos Temáticos. Essa proposta foi formalmente encaminhada para a SAB (biênio 2016/2018) em setembro de 2017 e estamos aguardando a Reunião Anual da instituição a ocorrer em julho do corrente ano, na esperança de termos algum retorno.

Queremos agradecer em especial ao Alexandre Amorim, representando o NEOA-JBS, pela paciência, dedicação e disciplina nessa parceria durante todas as etapas de preparação e envio dessa proposta.

Enquanto tivermos fôlego, imaginação e disposição, não vamos desistir de oferecer boas ideias para melhorar o cenário da divulgação astronômica no país.

GaeA – Grupo de Apoio em Eventos Astronômicos
21/04/2018 - no aniversário de 9 anos de fundação.

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