27 de abr de 2016

Astronomia Indígena na Amazônia antecede Galileu, diz pesquisador

Muito antes de Isaac Newton demonstrar que a causa das marés é a atração da Lua, indígenas no Brasil já conheciam a relação


(Portal Amazônia) A astronomia e seus impactos em fatos cotidianos e práticos não é uma prática unicamente do ocidente. Os indígenas já estudavam o movimento dos astros muito antes, para conhecer os períodos de seca e cheia dos rios da Amazônia, assim como, épocas específicas do ano para plantar e colher. Algumas vezes eles estiveram até à frente da ciência.

Em 1632, Galileu Galilei publicou o livro “Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo; ptolomaico e copernicano”. O livro marcou toda a ciência ocidental dos próximos séculos. Nele Galileu afirmava que a causa das marés eram os movimentos rotação e translação da terra, desconsiderando a influência da Lua.

Vinte anos antes, o missionário capuchinho francês Claude d’Abbeville passou quatro meses entre os tupinambá do Maranhão, da família tupi-guarani. No seu livro “Histoire de la mission de pères capucins en l’Isle de Maragnan et terres circonvoisines”, ele conta uma pouco dessa história. Um dos trechos do livro diz que: “Os tupinambá atribuem à Lua ao fluxo e o refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias que se verificam na lua cheia e na lua nova ou poucos dias depois”.

Somente em 1687, setenta e três anos após a publicação de d’Abbeville, Isaac Newton demonstrou que a causa das marés é a atração do Sol e da Lua. Esses fatos mostram que, muito antes da Teoria de Galileu, que não considerava a Lua, os indígenas que habitavam o Brasil já sabiam que ela é a principal causadora das marés.


De acordo com artigo publicado pelo Prof. Germano Afonso, os indígenas já utilizavam os corpos celestes para se localizar. A palavra Itacoatiara, que em tupi e em guarani significa pedra pintada, são rochedos decorados encontrados em algumas regiões. Esses foram os primeiros registros desses povos de eventos astronômicos.

Os indígenas utilizavam a astronomia principalmente para a agricultura. Dessa maneira associavam as estações do ano e as fases da Lua com a biodiversidade local, para determinarem a época de plantio e da colheita, bem como para a melhoria da produção e o controle natural das pragas.

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