28 de jul de 2016

Aos 16 anos, Mylena Azevedo, a estudante de Campos que descobriu cinco asteroides, busca recursos para viajar para os EUA

Uma conversa rápida com a estudante de 16 anos revela uma pessoa centrada, madura e muito segura do que quer


(O Diário) A julgar pelas outras meninas de sua idade, Mylena Silva de Azevedo parece viver em outro planeta. Não que viva no mundo da lua. Muito pelo contrário. Uma conversa rápida com a estudante de 16 anos revela uma pessoa centrada, madura e muito segura do que quer. E foi essa dedicação que levou Mylena a descobrir nada menos do que cinco asteroides. A façanha foi possível porque ela participa de uma campanha internacional de busca astronômica, proposta pelo programa International Astronomical Search Collaboration (Iasc), com sede nos Estados Unidos, e coordenada pelo Clube de Astronomia de Campos.

A campanha capacita professores que orientam os alunos a identificar os corpos celestes."Fui selecionada, em 2015, pelo professor de física Luís Carlos Barroso e a coordenadora Mônica Pollicani para participar do projeto 'Caça aos Asteoides', acho que pela minha dedicação, minha participação ativa, meu interesse pelo tema e a relação muito próxima que tenho com meus professores", comenta a estudante.

Agora, Mylena tem a chance de voar um pouco mais alto. Mas, precisa conseguir recursos para embarcar em uma viagem que vai acontecer em setembro às regiões de Washington e Virgínia, nos Estados Unidos. Ela está correndo contra o tempo para conseguir um valor estimado em R$ 5 mil para cobrir as despesas da viagem que inclui passagem pela NASA e pela Casa Branca. "Minha família é humilde e não tem condição de custear a viagem. Meus professores da ETE João Barcelos Martins estão tentando me ajudar a realizar este sonho, apesar de toda dificuldade que a escola enfrenta. Tenho fé que vou conseguir. E já estou sonhando. Sonhando alto", diz a estudante do 3º ano do Ensino Médio.

A descoberta - A observação acontece através de um programa de computação astrométrica. "A imagem é em preto e branco. A gente compara a um aparelho de ultrassonografia. É preciso observar os pontinhos que se deslocam e é tudo muito pequeno, o que dificulta bastante", conta. Ou seja: não foi fácil chegar lá. Foram necessárias algumas horas de observação criteriosa e muita, muita paciência. "Às vezes saía da escola mais cedo e ia para uma lanhouse. Uma vez fiquei esperando quatro horas para o programa abrir e, quando abriu, deu erro (risos). Peguei um ônibus e fui para a casa da minha avó. Fiquei lá até meia-noite, mas consegui. É tudo resultado de muito esforço", relembra.

Daqui a cinco anos, Mylena vai precisar nomear os asteroides que descobriu. Pensa em colocar nomes de seus familiares e o do coordenador do projeto, Patrick Miller, que assina o certificado de reconhecimento de sua contribuição que não sai mais da sua pasta, além de uma carta do coordenador do Clube da Astronomia, Marcelo Oliveira. Tudo para sensibilizar possíveis patrocinadores da sua ida à NASA. Falta pouco para a menina que um dia sonhou em fazer Medicina lançar-se a espaços que, por enquanto, existem em seus sonhos. Mas, o céu é o limite para nossa caçadora de asteroides.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente