10 de set de 2016

INPE lança o SOS Chuva com capacidade de previsão imediata e precisa de tempestades



(INPE) Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), desenvolveram uma tecnologia inédita para fazer a previsão imediata de tempestades. A ferramenta vai fornecer para a população informações sobre a ocorrência de raios, rajadas de vento e chuvas de granizo, incluindo o tamanho das pedras.

Além de reduzir o número de mortes causadas por deslizamentos de terra e inundações, os dados serão aplicados para expandir a agricultura de precisão, diminuindo os prejuízos provocados por eventos extremos. Os equipamentos já foram instalados, e a expectativa dos pesquisadores é que o SOS Chuva entre em operação em novembro deste ano em Campinas (SP).

"A previsão é tão precisa, que será possível dizer quando e quanto vai chover em determinado bairro. Vamos saber se haverá granizo e qual o tamanho das pedras. Poderemos orientar a população em detalhes, evitando uma série de acidentes em decorrência de queda de árvores, raios, deslizamentos de terra ou inundações. Isso é nova ciência", explicou o pesquisador Luiz Augusto Machado, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE. Ele coordena a equipe de mais de 50 cientistas brasileiros e estrangeiros que trabalham no SOS Chuva.

O que acontece nas nuvens
Para elaborar previsões com alto grau de precisão, os pesquisadores tiveram que estudar os processos físicos que ocorrem no interior das nuvens. São eles que definem a severidade dos eventos climáticos, um assunto que desafia a ciência. Mas um equipamento em especial permitiu que os cientistas avançassem no conhecimento sobre o que acontece nas nuvens.

Dados captados por um radar de dupla polarização durante dois anos abriram o caminho para o desenvolvimento de um sistema de alerta de tempestades intensas. Sensores, pluviômetros e novos algoritmos complementaram a infraestrutura necessária para que o projeto, depois de dez anos, saísse do papel.

Com capacidade para cobrir uma área de 100 quilômetros, o radar usado no SOS Chuva custou 600 mil euros, pagos com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que investiu R$ 3 milhões no projeto. Embora o Brasil já disponha de radares desse tipo, o conhecimento ainda é restrito. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), também vinculado ao MCTIC, possui nove radares de dupla polarização, mas nenhum usado para previsão imediata de chuvas.

Aplicativo
Segundo o pesquisador Luiz Augusto Machado, o projeto já foi apresentado para a Defesa Civil, que poderá usar as informações para minimizar os danos provocados pelas chuvas nas áreas de risco. Mas a proposta é que a população também se aproprie do SOS Chuva. Para isso, será desenvolvido um aplicativo em que o usuário poderá interagir e enviar informações. "A ideia é que daqui a um ano todo mundo tenha o aplicativo para poder se proteger", disse Machado.

http://soschuva.cptec.inpe.br/soschuva/

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